
Crer no Evangelho não é apenas "aceitar Jesus" e sim, dentro de nossos limites humanos, "aceitar ser como Jesus". E se religião é religar o homem a Deus, uma vez reconciliados com o Pai através do Cristo, o que há para religar? Pelo contrário, já estando ligados, resta apenas assumir esta condição. Não há, portanto, nenhuma igreja física, institucionalizada, a ser resgatada quando Jesus voltar. Há, sim, uma igreja feita de "pedras humanas", de homens que realmente aceitaram a Jesus seguindo seus ensinamentos e que estará reunida em um outro plano, completamente diferente do mundo material em que vivemos. E não adianta os homens se precipitarem e quererem impor a Deus quem deve ou não deve ir para a Nova Jerusalém espiritual, porque Deus, simplesmente, não segue preceitos humanos. Os homens é que se esquecem de seguir os preceitos de Deus. A Sua igreja será escolhida por Ele. E só por Ele.
Essa Igreja, a verdadeira noiva do Cristo, não tem membrasia, rituais, sacramentos e tudo que lembra religião. O padrão de organização de Deus para sua igreja, porém, nos é conhecido e foi revelado pelas palavras de seu filho e único representante, o Senhor Jesus Cristo. Em nenhum momento dos Evangelhos, encontramos o Cristo afirmando desejar fundar uma igreja física ou uma religião. Pelo contrário, o Senhor Jesus afirma categoricamente que veio ensinar a vontade do Pai, que é que os homens amem a Deus acima de todas as coisas e um ao outro como mandamentos. Como bem afirmou Tiago, tão esquecido pelos religiosos, esta é a verdadeira religião para com Deus.
Porém, fora dos quatro Evangelhos, no Novo Testamento, Jesus Cristo deixa de ser um conceito universal de fé independente de religiosidade para ser diminuído sendo atrelado a mais uma religião. São, claramente, duas visões distintas de Jesus: Uma é a do Cristo dos Evangelhos, avesso à religião, divulgador da libertação pela verdade, que ensinava um conceito sobre Deus completamente diferente do que havia até então naquela cultura onde Ele estava inserido. Um Cristo que, inclusive, pagou com a vida pela "ousadia" de ensinar que Deus é misericórdia e não sacrifício. O outro é o da visão religiosa extra-Evangelhos, que, embora muitas vezes cercada de boas intenções em sua essência, quando não simplesmente adultera as palavras do Cristo, as sistematiza em forma de religião, algo que o Senhor Jesus, sabiamente, nunca quis.
Cresce mais, a cada dia, a porção de cristãos que se vêem em uma encruzilhada espiritual: Percebendo as contradições da igreja institucionalizada frente ao verdadeiro Evangelho, questionam o porque de ainda se pregar a mesma lei que o Cristo venceu com seu sangue na cruz. Ou de porque se anular a universalidade do pensamento original de Jesus associando-o ao judaísmo em um sincretismo tão óbvio que já gerou um bizarro cristianismo de raíz judaízante como o da Congregação Israelita da Nova Aliança (CINA). Ou, principalmente, do porque da igreja ser herdeira da mesma religiosidade dos fariseus hipócritas, tão condenados pelo Senhor Jesus.
Pregar e praticar - Porém, seguindo a coerência do pensamento do Mestre Jesus, não é correto "combater a igreja", "destruir a religião", "dizimar os pastores", "insultar os fiéis", "quebrar os templos". A preocupação do cristão deve ser unicamente pregar e praticar os ensinamentos de Jesus contidos nos Evangelhos. Assim, até os homens de Mamom podem acabar, vez ou outra, pregando e praticando o Evangelho de Jesus dentro de seus caça-níqueis disfarçados de igreja. Assim, todos nós, de todos os povos, independente de nossas crenças religiosas, podemos pregar e praticar a Palavra de Deus através de Jesus. Porque Jesus, na verdade, não está na igreja institucionalizada e sim nos corações dos que ali estão, assim, como pode estar no coração de quem nunca pisou os pés em uma igreja. O que o Senhor Jesus fez foi ensinar uma nova atitude em relação a Deus e deixou o preciosismo intelectual, a sistematização e os equívocos da religião à cargo dos homens. Evangelho não é, nunca foi e nunca será, sinônimo de religião.
Por Costa Moreira.
(com um agradecimento especial a Alan Amaral pelo conceito preciso sobre religião)
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